10 maio 2013

SOLTEIRICE INDESEJADA




Por Leila Arruda no facebook:



Pessoal, estava conversando com alguns amigos e observamos que na atualidade existe uma "leva" de mulheres bonitas, inteligentes, trabalhadoras, que ganham bem, falam bem, conversam sobre diversos assuntos, saem, se divertem, são de Deus, estudiosas, cheirosas, com idade entre 25 e 35 anos que estão solteiras e sem pretendentes.

O que está acontecendo?

Que fenômeno é esse?

Participem, se puder!

  


Minha participação:




Caríssima irmã Leila,
Não pude deixar de ler no facebook sua indagação sobre o fenômeno da solteirice indesejada.
Tenho uma hipótese e gostaria de partilhar, mas se aplica aos homens também.
Antes de apresentar minhas ideias quero informar que evitei, com muito custo, ler a opinião dos que participaram respondendo sua publicação. Primeiro porque queria evitar “plágio”, depois porque será interessante notar se o que penso é semelhante ao pensamento de alguém.
Quanto ao referido fenômeno... Percebo que:
Muda-se constantemente a ideia de parceiro ideal com o que é Atualmente Desejado no outro e, consequentemente, mudam-se os critérios para relacionar-se.
São estereótipos disfarçados de gostos, sutilmente arraigados a nossa consciência.
Um dia tentei consolar uma amiga usando metáfora...
-- Tenha calma só mais um pouquinho... Logo logo seu príncipe chega montado no cavalo branco.
-- Cavalo branco? -- respondeu ela com cara de espanto. -- Quero não! Quero numa Hilux branca e nem precisa ser príncipe.
É pra rir não é? Mas não... É pra chorar.
O que é Atualmente Desejado geralmente opõe-se a ideia do Tradicional Companheirismo, entram em choque e tornam-se incompatíveis.
O Tradicional Companheirismo é a virtude de ser companheiro, que deve existir em todos os níveis e estados de relacionamentos (familiar, coleguismo, amizade, namoro, noivado, matrimônio, etc.).
O Atualmente Desejado são as expectativas criadas, e julgadas necessárias, que o tipo de parceiro ideal deve oferecer. Este tem sido dominante.
No Tradicional Companheirismo se exige o duro e árduo desafio de suportar as diferenças, enquanto isso, no Atualmente Desejado, o que se exige é aquilo que queremos que o outro tenha a nos preencher. Ambos parecem justos?
Neste sentido, um(a) colega ou um(a) amigo(a), quem já conhecemos o que pode oferecer, que já demostrou inúmeras vezes ter a virtude do Tradicional Companheirismo, que consegue suportar todas nossas diferenças com maestria, geralmente não se enquadra no que é Atualmente Desejado. Assim nasce a “necessidade de procurar” fora de nossos círculos comuns quem se enquadre em nossas expectativas.
Parece tudo estar relativo a conhecer ou não conhecer alguém como se deve. Mas será que existe uma solução?
Uma vez ouvi uma jovem dizer que a solução seria optar por casamentos arranjados, onde nossos diretores espirituais fariam o papel de “santo alcoviteiro”. Ela também sugeriu promovermos encontros específicos para que pudéssemos conhecer melhor as pessoas de nosso meio, com dinâmicas e eventos voltados para isso.
Para quem não tem pessoas tão próximas com quem possa entrar nesse processo, ou quem não consegue, acredito que o site www.namorocatolico.com.br, recomendado até pelo professor Felipe Aquino, parece ser uma boa solução para nós católicos, que ansiamos por um relacionamento com propósito de matrimônio.
É claro que os valores e virtudes religiosas de alguém são condicionantes na aceitação e na formação de sentimentos românticos. Isso é inegável. Contudo, e sobretudo, temos que tomar cuidado para não nos confundirmos quando acharmos que alguém não é virtuoso o bastante, pois pode ser que este apenas ainda não é virtuoso, mas luta por sê-lo.
Pedir paciência, aconselhar que espere o tempo de Deus, sugerir novenas, etc., são abordagens tão irritantes que até machucam. Além de parecer julgar que temos pouca fé, que não confiamos em Deus.
Meu conselho é arriscar! Supondo que alguém se aproximou e você identificou que é capaz de suportar suas diferenças. O resto se forja com oração e diálogo.
Suportar amargas diferenças tornam as mais insipidas atitudes em saborosos manjares.









-- Léo Maciel