23 abril 2011

MEDO INOCENTE




Tens muito medo. A culpa não é sua, mas ele te paralisa.

Sofreu tanto... Muitos horrores quando ainda sonhava.

Vejo ainda um raio de luz de esperança saltar em seus olhos.

Ouço de longe batidas suplicantes por amor em seu coração.

Cheiro o doce perfume exalado do seu âmago torturado. 

Toco a fria fina frágil pele que vela seu ego.

Degusto infeliz o amargo desvelo de seu caráter.

Tens tanto medo que se esconde e se ilude; se engana.

Cuidado! Ele está ao seu lado disfarçado de liberdade.

Ela deita contigo parecendo menina inocente vestindo rendinha.

Um playboy dourado de brinco, correntão, tattoo e mentiras.

Uma amiga-parente-amiga de carmesim que cospe enxofre.

É mais fácil se iludir. Falsa segurança. Mundo da mente, mundo da lua.

Ele te paralisa para realidade e te libertina nas vaidades do "grand monde".

Caramba?! O que te ensinaram? Me abisma. É Medonho.

Não existe carpe diem sem memento mori.

Fique sabendo! Você é inocente.

Por enquanto.




--
Léo Maciel

12 abril 2011

GERAÇÃO A, B, C, X, Y e ETC...

-- Por favor, não complique minha cabeça com sua cabeça que está sendo complicada pelos choques de gerações. Qual é sua geração?

-- Minha geração? Há, sei lá!

-- Pois deveria saber. Deveria discernir em que geração você nasceu e decidir qual geração você quer adotar.

-- Há! Só sei que nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim...

-- Vixe! Você tem a síndrome da Gabriela.

-- Quem é Gabriela? E que síndrome é essa?

-- Você não é ela e nem sabe quem você é, mas você está igual...

-- Como assim?

-- Orgulhosa e perdida, como todos os orgulhosos. Mas você tem salvação. Basta se abrir um pouco mais e ser mais flexível.

-- Que nada! Quando se abre muito... se entra qualquer coisa. E o que flexiona muito pode se quebrar.

-- Abra seu coração como o sol abre o dia e a lua a noite, ninguém os alcança e todos os admiram. E seja flexível como o bambu, ele enverga, mas não quebra.

-- Eu quero ser como o sol que brilha e a lua que encanta, mas não sei se quero ser como o bambu.

-- Por que não como o bambu? 

-- Tipo, o sol e a lua são autossuficientes, mas o bambu não, ele depende de outros pra sobreviver, inclusive do sol e da lua.

-- Há! Então você tem medo de depender de alguém?

-- Acho que sim. Eu posso me decepcionar e me machucar.

-- Caríssima! O sol e a lua não são tão autossuficientes assim. Eles só existem por causa do bambu, de você e de mim. Por isso Deus os criou. E o bambu não é tão dependente assim, ele cria raízes tão fortes e tão firmes que nem o vento mais poderoso pode derruba-lo.

-- Há! Se é assim então eu quero ser como o bambu.

-- Que seja então, mas seja feliz!



--

Léo Maciel

22 março 2011

MEU OLHAR


Na busca para enxergar a realidade,
cai do céu uma dádiva singular,
um dom penetrou meus olhos,
potencializando meu olhar.

Enxergo além, mas do que posso compreender.

Vejo o que sente mesmo antes de você perceber.

Como está sua alma?

Mesmo que a minha eu não consiga ver.

Ah sim! Eu trocaria tudo que sei
pela metade de tudo que não sei.

Pois vi em seus olhos
aquilo que você não consegue falar;

Num fio de brilho dourado,
desvelado pela luz do luar,
dentro de você eu me encontro,
através de meu olhar.


O que escrevo acima não é um poema. É um elenco de pensamentos tentando entender porque consigo ver aquilo que até mesmo eu não gostaria de ver.


--
Léo Maciel